Design e Emoção + “Designing for Happiness”

Nessa quinta feira passada, foi fundado o captítulo porto-alegrense da Design and Emotion Society, um grupo dedicado a estudar a relação e a instersecção entre os dois assuntos — o design e as emoções. Pode até não ser novidade que alguns produtos e serviços nos toquem emocionalmente, mas o que o grupo parece querer enfatizar é que boa parte das decisões de consumo não é guiada pela razão, e sim por motivos como os da ordem do desejo e do afeto.

Foto: Margarida Graúdo

Lean­dro Tonetto, o primeiro palestrante, colocou que não se trata de entender as emoções das pessoas como um artifício para “enganá-las melhor”, mas o que as faz optar por uma coisa ou outra.

Marcos Nähr, na sequência, descreveu o o fluxo através do qual um serviço se torna “tocante” (palavra minha): quando ele deixa de ser commodity para ser um bem de consumo para ser um serviço para ser uma experiência para ser uma experiência plus.

Filipe Campelo da Costa fez as vezes de elencar tudo o que se produziu em termos de produção científica sobre o assunto.

Pieter Desmet, professor holândes e pesquisador do assunto de longa data, falou sobre o conceito de desenhar para a felicidade (design for hapiness), idéia que vai além de proporcionar alegria às pessoas. Num exercício com seus alunos, constatou que a mistura e a valorização do talento, dos prazeres e dos valores que uma pessoa tem, somados à capacidade de contribuição, são atributos que levam à felicidade.

[Update de 18/01/2011]: A apresentação mesma apresentação de Pieter pode ser vista aqui, nesse vídeo.

Mas… o que te emociona, o que te faz feliz?

Se é pra pensar no tipo de situação que me faz feliz como pessoa/consumidor, acho que tenho um bom exemplo, que aconteceu casualmente logo depois das palestras que descrevi. Uma experiência do âmbito pessoal que podia muito bem ter sido proporcionada por uma marca ou prestador de serviços.

Recebi uma encomenda!  ”– Mas, peraí… eu não tinha pedido nada pra Amazon, Submarino etc.” Nada. Era algo enviado espontaneamente. Nos dias que correm, onde a gente não se corresponde mais por carta e os telegramas são artigos raríssimos, o que resta pra caixa de correio são as contas a pagar e eventualmente, malas-direta (estou livre dessas últimas). Ou seja, nada de surpresas.

O meu amigo Daniel, de Curitiba, com quem estou colaborando como ilustrador, me enviou um pacote com uma camiseta e vários ingressos para os principais filmes em cartaz.

São aquelas coisas que nos surpreendem porque vem sem obrigação e, em geral, são uma surpresa na hora certa, levemente aguardada. Some-se a isso o fato de que tem alguém que lembra de você, que se importa e quer lhe dar um prazer. É uma idéia de felicidade.

E você, qual é a sua?

Design Gráfico: Gaúcha no Carnaval

A parte mais divertida desse trabalho foi ter conhecido o Cláudio Brito e ter ouvido as histórias de outros carnavais. Foi ele que fez uma série chamada Personagens da Folia, comandou as transmissões da Gaúcha no Carnaval e protagonizou o famoso causo do “fecha em mim que eu vou chorar“. Ele respira e transpira carnaval há muito tempo.

Teaser do Gaúcha no Carnaval

Recomendo, para os aficcionados ou não!

São só… Detalhes

Eu nunca entendia (leia-se: não aceitava) quando o diretor da antiga empresa onde trabalhava, em vias de colocarmos algum site no ar, se fixava em detalhes que pra mim não tinham a mínima importância.

Numa dessas ocasiões de aprovação final, fiquei surpreendido (leia-se: contrariado) quando os únicos comentários que ele fez foram em relação ao favicon (que ainda não existia) e alguns erros de português espalhados pelo site.

Na minha cabeça, ter um site bem construído — com um bom apelo visual, funcional, de navegação fluida e com um código bem escrito por trás — era tudo que podia importar nessa vida. (O que não está tão longe assim de ser verdade).

Quando os detalhes importam

Imagine que você vai a um restaurante e pede um delicioso prato feito com esmero pelo Chef. No prato que você pediu vem arroz, purê de batata e um entrecot coberto por uma fatia de queijo provolone. [Rios de saliva...] Foi exatamente esse o meu almoço de hoje, e posso lhes assegurar: tava bom pra caramba!

Mas, querem saber?… Faltava alguma coisa naquele prato. Visualmente, ele não inspirava, era tudo muito “branco”, faltava cor! Faltava um detalhe, aquela folhinha verde no meio do prato, aquela pimentinha vermelha…

“E o que isso tem a ver com a história dos detalhes de um site?”, pergunta o leitor, mal se contendo de angústia na sua cadeira.

Deixa eu mostrar pra vocês de forma prática, como fiz com os pratos. Quando você adiciona um site a sua lista de favoritos, pesquisa no histórico ou na barra de endereços, aparece uma pequena imagem associada ao endereço (o tal favicon)… ou não, se o dono desse site não tiver escolhido nenhuma. O nosso olho escaneia essas pequenas imagenzinhas e vai direto ao que interessa. Compare você mesmo:

Barra de Endereço do Navegador: com os favicons (dir.) ou sem eles (esq).

Pra concluir…

…e a afinar um pouco mais o quero dizer:

  • Os detalhes, por si só, não são a “salvação da lavoura”. Se o todo está mal realizado, não são as pequenas partes que vão salvá-lo.
  • Os detalhes nem sempre devem ser a prioridade zero. Cabe a nós eleger os detalhes que vão fazer a diferença.
  • Um bom detalhe é como a assinatura de um quadro: se ele nos agrada, vamos procurar por ela.

O Rio que me chama

Todas as vezes que vim ao Rio de Janeiro* foi com um misto de fascínio e um pouco de medo. Vindo de Porto Alegre, é como se estivesse saído do interior pra uma cidade grande, muito grande. Medo, pela propagandeada violência. Fascínio, porque o Rio é três coisas tão grandes para estarem juntas no mesmo lugar: é a babilônia de carros, casas, prédios, pessoas espremidas tentando se entender; é a imensidão do mar; e é a imponência geográfica dos morros e pedras gigantescas. (Ok, pode ser que tenham mais coisas, mas isso pra mim já basta pra se surpreender).

Vista parcial da janela do apê em que fiquei, em Copacabana

A combinação desses fatores é, no meu ver, o que faz as pessoas virem massiva e insistentemente pra cá (incluso eu). Se não for pelas incontáveis possibilidades de encontros na selva de pedra, ainda há o mar pra você ficar olhando enquanto toma qualquer coisa gelada. Na realidade, a praia também é babilônica. Alguns dizem que é São Paulo com mar… Mas eu prefiro com mar. :)

O Rio de Janeiro, essa cidade que já foi a capital do país, parece também condensar em si uma realidade que é extremamente brasileira, pelo bem ou pelo mal. As desigualdades sociais gritam. A gente e os ritmos musicais se misturam. A cordialidade e a violência convivem.

Eu sei que escrevo desde um ponto de vista turístico, de quem não mora aqui. Mas essas são as coisas que me chamam a atenção e me fazem vir pra cá.

Vista total.

* Era onde estava quando eu escrevi esse texto.

Série Aronofsky no interrogAção

O pessoal do interrogAção tá preparando uma série de artigos sobre os filmes do Aronofsky, e eu vou fazer as ilustrações pra cada um deles (é o que reza a lenda!). Por via das dúvidas, vão acompanhando os conteúdos sempre atualizados pelos incansáveis escribas elfos. Aí vai a primeira ilustra, pro filme Cisne Negro (Black Swan):

Cisne Negro / Black Swan

[Update de 16/01/2011]: Antes de fazer esse remake de cartaz, eu ainda não tinha lido essa matéria do Guardian, com as versões de cartaz pro lançamento do filme.