O Design é “Arte com função”, já a Arte não tem uma função, certo?

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Cartu
m (2013), Rafael Corrêa.

O que diferencia o Design da Arte? O primeiro tem uma função, uma finalidade, enquanto a outra se basta por si só. Design é pra ser útil, Arte é pra fruir. Certo? Pra quem gosta de caixinhas (cada coisa na sua), ou não quer perder tempo discutindo isso, basta saber que as duas são coisas diferentes. Pros que gostam de conversa e não se importam em deixar a questão em aberto, sem pingos nos i-s, aí vai uma conversa com algum fundamento :)

***

Dizer que Design é “Arte com função” pode dar a entender que a Arte não tem função. Isto é: A Arte existe pela Arte. Vem comigo que vou mostrar que tem mais coisa aí.

cadeira-gorduraCadeira com Gordura (1963), Joseph Beuys.
Quando essa cadeira foi exposta, deixou de ser Design?

Um professor de História da Arte costumava dizer pra nós, seus alunos:

A Arte é algo que ainda não conseguimos definir satisfatoriamente. Só o que sabemos é que, desde épocas remotas, o homem não pode prescindir dela.

Em suma, não sabemos exatamente o que é, mas não podemos viver sem ela. Pra mim, isso mostra que ela tem uma função nas nossas vidas, por mais que possa ser diferente daquelas do Design. É bom lembrar as várias que ela já teve até aqui:

  • Função espiritual. A Arte como retrato do espírito da época.
  • Função de representar ou transfigurar a realidade. Vale ser realista ou caricatural.
  • Função de dar prazer estético. Dar algum barato pros sentidos.
  • Função Política. Ser panfletária, ou ser política a seu jeito, dentro da sua linguagem.
  • Função de escandalizar. Mexer com a ordem estabelecida.

Essas funções se alternaram ao longo da história com outras que não listei. Um coisa me parece certa: A Arte existe pela Arte não é uma sentença definitiva; não mata a questão sobre o sentido da sua existência.

E agora, só pra deixá-los com uma pulga atrás da orelha: o Design tem sempre que ser útil e resolver um problema?

cadeira-sonsNoize Chairs (2012). Estúdio Guto Requena.
Uma cadeira feita a partir de sons. Só pra sentar?

10 anos de Metódos Ágeis (grupo) no RS!

Evento onde vou facilitar um open space sobre UX. Aprocheguem-se!

Data: 4 e 5 de abril de 2014
Hora: Das 8:30 às 18:30
Local: UniRitter Porto Alegre (Rua Orfanotrófio, 515, Porto Alegre).

Mais infos…

(Essa artezinha pro livro de assinaturas do evento fui eu que fiz :) 

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Falar e fazer a coisa certa é maior que tudo

Falar

Tive uma idéia!

Fazer > Falar

Fiz um negócio aqui, olha só!

Falar e fazer > Fazer > Falar

Tive uma idéia, que cês acham?

Ó, lembra daquela idéia de que falamos? Taqui o resultado!

Falar e fazer a coisa certa > Falar e fazer > Fazer > Falar

Tive uma idéia, vamos conversar?

Lembra daquele papo? Pois é, a partir dele cheguei à conclusão de que essa era a melhor coisa a se fazer nesse momento.

Foto: [cipher]

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Hangout: o que há de interessante no “Minicurso de UX Design”?

Enquanto houve bate-papo, foi um bate-papo divertido. Depois virou uma apresentação mão-única, também divertida. Aí está o Minicurso de UX Design (www.uxnivers.com/miniux), que eu ministro pela UXniversity, em toda sua glória. 12h em uma.

foto: mattcornock (flickr)

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Pergunta: “O que preciso fazer pra ir pra área de UX (User Experience)?”

A partir de uma conversa com uma desenvolvedora de software que fez o Minicurso de UX comigo, querendo saber como entrar nessa área de UX (User Experience).

ela: eu ando pesquisando um monte sobre trabalhos na área de UX, e o que eu leio muito é a questão de ter que saber/ter estudado sobre design para poder ser dessa área.

eu: sim, acho ter um bom fundamento em design é importante.

ela: uhum, mas para começar, tem alguma área que de pra aprender sobre, para então ir pro UX? … eu vi que tem um pessoal que era web designer e foi pra UX.

eu: é super válido, mas não é indispensável




 ser designer para “ir pra UX”. tu pode muito bem ser desenvolvedora e ser “de UX”. na real, tu não vai pra UX… ele vai até ti.

ela: sim, o desenvolvedor que não é aquele ser fechado que só pensa em código e mais código. ele acaba também pensando na questão da usabilidade, em como fazer aquilo que foi passado da melhor forma e tal. eu pelo menos penso assim.

eu: sim! exato. porque UX não é bem uma área. é um jeito de encarar as coisas. aí é que tá o lance!

ela:  sim, 




penso assim também.

(…)

ela: mas para poder trabalhar com a usabilidade e melhor experiencia tem que estar em um lugar que dê bola pra isso, né? e tem muuuuitos lugares onde isso não acontece. assim como deve ter empresas que fazem isso, mas na real nem usam o UX como nome de um cargo.

eu: é. as coisas não são muito óbvias nesse sentido… como tu falou: “empresas que fazem isso, mas na real nem usam o UX como nome de um cargo”. essas são as que valem a pena, mas como identificá-las? e as que usam só o nome, como fazê-las de fato se (pre)ocupar com UX? quando descobrir me fala, hehe.

ela: tentei mudar algumas coisas aqui na minha empresa, mas não fui muito feliz.

eu: não desiste. 



eu passo pelo mesmo, todo o tempo.

ela: bom… agora sei que não preciso especificamente procurar por uma vaga de UX, mas sim um lugar que tenha esse conceito aplicado na empresa. ou melhor ainda, não preciso fazer uma graduação de design pra poder trabalhar com isso \o/

eu: justo.

[Foto: mollystevens]

Minha participação no Technovation Challenge

Para quem quer conhecer um pouco dos conteúdos abordados no Minicurso de UX Design (próx. edição: Fortaleza, em março), taí a oportunidade! Um vídeo com algo em torno de 50 min.

Nessa oportunidade, falei para o público especialmente feminino do Technovation Challenge,

“uma competição que inspira meninas a se tornarem mais do que usuárias de tecnologia”.

Parte 1

Parte 2

Slides

Transcrição dos slides

  • Minicurso de UX (RESUMO) @thiagoesser
    DESIGNER NA UMOV.ME | FAZEDOR NA UXNIVERS.COM
  • Qual o valor do Design Centrado no Usuário?
  • Diagrama de ALAN COOPER
  • Design Centrado no Usuário: É um processo de criação que se baseia nas necessidades, desejos e limitações das pessoas.
  • Pensem no trânsito Quem são seus usuários? O que eles precisam? O que eles querem? Até onde podem ir?
  • User Experience (UX): Toda a interação que temos com um produto, serviço ou marca.
  • As camadas do Design para a Experiência do Usuário
  • Design Visual Estética. “Como eu pareço?”
  • Arquitetura da Informação Organizar as informações. “O que tem mais ou menos peso?” (hierarquia)
  • Design de Interação Fluxos. “Como eu vou daqui pra lá?”
  • Usabilidade: Ergonomia. “Fácil de usar?”
  • Textos: Linguagem. “Dá pra entender bem?”
  • Lado Lógico, intelectual, exato “Faz sentido?” “Preciso pensar muito?”
  • Lado emocional, afetivo, criativo Visual Aquilo que causa prazer
  • Pensamento (ÓBVIO PARA MIM)  – Visual (ÓBVIO COMPARTILHADO)
  • Protótipos!
  • Mapas mentais: Como nascem e fluem as idéias?
  • Desenho: “Coisa de criança” “Não sei desenhar” Mitos
  • Personas/Arquétipos
  • Style guides
Arlo Bates on flickr

Design e Antropologia: como as duas áreas se relacionam?

Aqui no blog, já venho postando algumas coisas sobre antropologia (ver posts com essa tag) e, como o blog é puxado mais pro lado do design, uma coisa não deve andar sem a outra. É o que penso… e acho que não estou sozinho.

Saquem só algumas referências que mostram que a intersecção já está consolidada em várias partes do mundo, através de programas de (pós-)graduação e de cursos.

Cursos de Etnografia na sua cidade

Aqui em Porto Alegre tem coisa bacana rolando nesse sentido. Na PUCRS, há dois cursos de extensão junto à faculdade de Comunicação. Curso 1 | Curso 2 (do segundo, posso falar por exepriência própria que vale a pena, pois fiz ele no passado, vide meus sketches).

Agora no mês de fevereiro (dias 20 e 25), a UXniversity promoverá o curso de Pesquisa Etnográfica para Designers, que é mais um passo nesse sentido. Junto com a Desirée Sant’Anna (Sociológa), estarei falando sobre essa ligação entre a pesquisa e o processo de design.

Mais infos: http://uxnivers.com/etno-design

Como a Pesquisa Etnográfica pode ajudar designers no planejamento e criação de produtos e serviços. Técnicas básicas, para pesquisas de curta duração.

Curso: Etnografia para Designers

Fotos: Arlo Bates (flickr) + ngaymua (flickr)

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Livros: leituras obrigatórias que mudaram minha vida

Primeiro, tenho que explicar o que considero leitura “obrigatória”: são aqueles livros que, por algum motivo profissional ou de formação, você TEM que ler. Na escola, são alguns autores regionais e nacionais consagrados. Na faculdade, livros que são pedras fundamentais da sua profissão.

O “obrigatória” vai tranquilamente entre aspas, pois se você quiser pode passar a vida escapando dessas leituras — lendo só o resumo na internet, vendo o filme do romance… — nada lhe impedirá. Eu, por exemplo, vou confessar aqui duas de que passei ao largo, não pra mostrar como sou espertinho ou bobo, mas pra questionar essa suposta obrigatoriedade: O Continente, do Érico Verissimo, que para quem é gaúcho representa quase o mesmo que não ler O Alienista do Machado de Assis, em termos de literatura nacional; na área do Design de Experiência do Usuário (UX), passei em branco pelo The Elements of User Experience, do Jesse James Garrett, só conhecendo o famoso resumão da parada.

[ Breve comentário: não acho que ninguém tenha que ter vergonha de não fazer leituras indicadas... desde que leia outras coisas no lugar! :D ]

Dito isso, quero falar sobre como algumas dessas leituras indispensáveis, irremediáveis e inscapáveis que mudaram minha vida.

O quê?! Um livro de Direito Trabalhista ou de Botânica mudando a vida de alguém??

Seria mais ou menos essa a relação se eu fosse um estudante de Direito ou Biologia… dizer que um livro técnico, daqueles que vocês nunca leria nas férias, alterou o rumo da sua existência.

De certa forma, esse “mudou a vida” pode acontecer com cada um dos livros que a gente lê até o fim, pois nenhuma leitura é totalmente insignificante para não nos fazer nada (nem bem nem mal).

Mas esses livros que listo abaixo tem algumas propriedades particulares. Contradizendo as expectativas normais, foram leituras extremamente prazerosas, mesmo que as tenho feito na marra (mentirinha). Além disso, todos contém uma mensagem, uma linha de pensamento que pode ser resumida de forma bem simples — ao menos é o que eu acho.

O design do dia-a-dia, de Don Norman

the-design-of-everyday-things-revised-editionA mensagem contida aqui, e que acaba de ser renovada com uma nova edição do livro, é libertadora, fato que se repete nos outros casos que cito aqui. Norman diz que

as pessoas tem dificuldade de usar e se adaptar às (novas e velhas) tecnologias porque elas não foram projetadas pensando nas suas necessidades e limitações. [resumão meu]

Nesse sentido, ele tira a culpa de cima da gente por não sabermos usar computadores, controles remoto, telefones, elevadores e até mesmo portas! Ufa!

Não me faça pensar, de Steve Krug

dontmakemethinkEsse livro, que tem continuidade com outro do mesmo autor,  dá a seguinte morta, que eu sintetizo assim:

Você tem uma idéia. Ela é genial, vai mudar o mundo! Ou é simplesmente boa. Ok. Vamos testá-la?

– Ah, não precisa… vai dar certo, não tenho dúvida!

Se ela é boa, então pra quê ter medo do teste?

Nas entrelinhas, está dito que boa parte das idéias, quando se concretizam, na realidade são uma m****. Mas ok, vamos aprender como, por que… ao invés de ficar se enganando.

Relativizando, de Roberto DaMatta

relativizandoEu não estudei Sociologia, nem tenho muitas leituras na área da Antropologia, mas esse livro do antropólogo brasileiro fez algumas boas cócegas no meu cérebro. Resumindo, como disse em outro post:

Não se trata de um “tudo é relativo” onde nunca se tem certeza de nada. Relativizar é se colocar no lugar dos outros — outra pessoa, outro grupo, outra tribo — através da pesquisa etnográfica, para, a partir desse ponto de vista, avaliar os nossos próprios conceitos.

É a tal da empatia numa via de mão dupla: eu vou e me coloco no lugar do outro, e depois volto pro meu lugar depois de ter vivido essa experiência… e aí, o que mudou?

Preconceito Lingüistíco, de Marcos Bagno

marcos-bagno1Essa última é uma leitura bem recente onde, de cara, já notei que seria daquelas pra se levar consigo pela vida. Ela é obrigatória pro estudante de Comunicação, Letras, Sociologia, História… pensando bem, qualquer profissão. Em essência, o autor diz que

os falantes do português brasileiros são massacrados com exigências de bem falar e escrever que muitas vezes são inalcançáveis, quando não sem sentido. Essas normas servem como instrumento de poder e obscurantismo por parte de quem já está por cima, e não quer sair de lá. [resumo meu]

Recentemente, vi uma página de comentários  onde a palavra ancioso (com C ao invés de S) aparecia inúmeras vezes. Depois de ler esse livro, já não vejo isso como um pecado mortal e, inclusive, me questiono: de onde vem esse “erro”? É a língua evoluindo — ou simplesmente mudando, como mostram ‘n’ exemplos do livro — ou um sintoma das condições do nosso sistema educacional?

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Bueno, essas foram algumas leituras que pra mim perderam o status de sofrimento pra fazerem parte da minha estante na boa. Espero que vocês também tenham as suas!

Foto: paulbence

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Slides: Design centrado nos usuários em pequenas e grandes organizações

Fotos: Bruno Said

Já havia postado aqui o vídeo da minha lightning talk sobre a prática do Design de Interação em ambientes de grande porte comparado aos de pequeno porte. Agora posto os slides (1), um sketchnote (2) feito pelo pessoal do blog Arquitetura de Informação e a discussão (3) gerada a partir deles.

Veja os comentários do post abaixo.

Vídeo: O que é Design Thinking?

Num post anterior, compartilhei as respostas – controversas, engraçadas, sábias —  a essa pergunta em formato de áudio. 

Novidade: agora lançamos a versão em formato de vídeo!

A partir de uma proposta surgida espontaneamente num coffee break do Interaction South America 2013 (evento de Design de Interação), eu (@thiagoesser) e o Pedro Belleza (@pedrobelleza) fomos atrás de uma definição junto aos participantes… com respostas as mais diversas!

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Video: Pedro Belleza